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Criança operada às amígdalas cresce mais apesar de ter uma alimentação
igual
As crianças que são
operadas às amígdalas e adenóides (tecido semelhante às amígdalas, só
que na parte mais "funda" do nariz) crescem e ganham peso numa proporção
maior que o normal. Até hoje, muitas mães e médicos acreditavam que isso
ocorria porque as crianças depois de operadas comiam mais. De acordo com
um estudo conduzido na Unifesp (Brasil), a causa pelo maior
desenvolvimento da criança pode ser muito mais complexa.
Ana Paula Fiuzza
Dualibi, foi a investigadora que acompanhou 87 crianças de dois a dez
anos, em que todas tinham problemas de hipertrofia de amígdalas e
adenóides, isto é, um crescimento acentuado que pode ocasionar paragens
respiratórias durante o sono (apnéia), dificuldade para respirar e
falar, além de deformidades nos ossos, nos dentes e na musculatura da
face. "Só avaliámos crianças dessa faixa etária para isolar mudanças no
crescimento, pois antes dos dois anos, por exemplo, as crianças crescem
num ritmo muito acelerado", diz Ana Paula.
A ingestão calórica
das crianças foi medida antes da operação e quatro meses depois.
"Fizemos o levantamento sempre em um dia típico, para que não ocorressem
distorções, como, por exemplo, num fim de semana, em que é normal a
criança comer mais", explica Ana Paula. Segundo ela, também foi
perguntado às mães sobre o apetite dos filhos. "É comum elas dizerem que
as crianças comem mais, mas medindo isso, vimos que não houve diferença
na quantidade e tipo de alimento que as crianças ingeriam", explica.
Esse resultado
derruba a hipótese de que as alterações na alimentação explicam o
crescimento das crianças operadas. "Achava-se que, pela dificuldade de
engolir, a criança comia menos e, quando tirava as amígdalas, ela
passava a comer melhor", explica Ana Paula, autora do estudo.
Para a pesquisadora
Ana Paula, outra hipótese seria a explicação para o facto: a respiração
trabalhosa conduz a um gasto maior de energia, conforme sugerido em
estudos internacionais. "A criança com o problema respira de uma forma
diferente, que exige mais esforço da musculatura. Além disso, ela
utiliza também outros músculos acessórios", diz. O maior trabalho
muscular exigia um maior gasto calórico, o que conduzia no caso destas
crianças à magreza, ou a uma diminuição do peso corporal. |